O título pode dar muitas idéias para essa sua cabecinha, mas eu vou falar de música. Disparado, meu assunto favorito. Eu poderia passar horas discutindo gêneros atrás de gêneros, sem nem perder o fôlego. Claro que não vou fazer isso agora, pois não quero te cansar, mas... Falemos de música e preconceitos.
Nos últimos, sei lá, dois meses, comecei a me interessar por um gênero que, com certeza, muita gente repudia sem nem tentar ouvir um pouco: Hip-hop. Artistas como o falante e visionário Busdriver, o filosófico k-the-i???, o abstrato Prefuse 73, o sentimental e depressivo Sadistik, os barulhentos (e os meus preferidos) Food For Animals e o old-school Del Tha Funkee Homosapien me fizeram ver (e tomara que façam você também) que o Hip-hop não é só "vou furar sua cara na bala", 'vou comer aquela vadia" ou "minha gangue vai foder com a sua". Não. Inúmeros artistas levam o Hip-hop, a música a outros patamares. Patamares que podem abrir a mente de muito conservador por aí.
O que acontece na música, hoje em dia, é que talento não tem nada a ver com popularide. Aposto que, com essa frase, você lembrou de gente como Restart, 50 Cent, ou aqueles caras que acabaram de comprar seu primeiro par de CDJs e seu mixer e se auto-intitulam DJs. É, exatamente deles que eu falo. Eles podem fazer sucesso, podem ganhar dinheiro, mas a música não é só isso. Música não foi feita para enriquecer, muito menos é sinal de boa vida, ela foi feita para entreter. Paganini era famoso, mas morreu tocando seu violino. Beethoven era famoso, mas morreu (e fez música) surdo. João Carlos Martins, aquele maestro homenageado pela Vai-Vai no carnaval paulista desse ano, era outrora um grande pianista, tido por muitos como o melhor intérprete de Bach já conhecido, e perdeu o movimento das duas mãos. Todos os citados têm, inegavelmente, um talento quase sobre-humano, mas eu duvido que muitos já tenham ouvido falar deles, o que só prova que, infelizmente, popularidade não é sinônimo de talento.
O meu outro ponto é: Antes de falar mal de alguma coisa, procure correr atrás de informações do que você quer criticar. Você pode terminar ficando constrangido ao criticar, sei lá, música eletrônica por causa das raves, quando você não tem idéia de que o universo da música eletrônica consegue ser tão vasto quanto o universo físico, contando com tantos gêneros e subgêneros que até o mais sábio dos críticos musicais ficaria perdido. E uma coisa boa em buscar essas informações é que você pode acabar mudando de opinião durante o processo, além de adquirir conhecimento pra conversar sobre aquilo com outras pessoas. Música é o vício de muita gente que você conhece, inclusive pode até ser o seu, portanto, abra sua mente. Um pouco de coisa nova não faz mal a ninguém.
Já fui muito modista em relação a música, hoje não mais! O interessante é que me tornei mais seletiva com o que ouço, e não preconceituosa, sou até muito eclética. A grande sacada do seu texto é: o seu preconceito muitas vezes pode ser em vão!
ResponderExcluirEmbora atualmente temos certas coisas que são chamadas de música, que sinceramente, deixa muito a desejar! Mas, só por causa de certas coisas, vamos condenar o gênero? Minha contribuição para a reflexão que fez!
Abraço!