3.23.2011

Uma vontade, um crime

Ensino médio. A ponte entre a puberdade do ensino fundamental e a "pré-fase adulta" da faculdade. A época onde os conceitos de "popularidade", "desprezo", "humilhação" recebem seus primeiros traços de beleza e leviandade. Eu fiz parte da formação desses conceitos na minha escola, mas da forma ruim, obviamente.

Meu nome é Igor, e eu estava no 2º Ano quando ocorreu o episódio que será contado. Eu era o típico adolescente franzino, sem graça, sem "cor", sem valor, que era jogado no lixo pelos mais fortes e mais populares, tinha problemas com professores, dentre outras coisas. Clichê? Não acho. Aliás, a vida é um grande círculo vicioso de cópias e influências, ligar para clichês é perda de tempo.

Do outro lado da moeda, estava ela. Todo Pierrô precisa de sua Colombina, não é mesmo? A Colombina no caso atendia pelo nome de Jessica. Eu não sabia o que exatamente era o amor naquela época, mas aquela garota me atraía de uma forma bizarra e forte. Muito forte. Branca mas não muito pálida, cabelos pretos, lisos e longos, um sorriso capaz de iluminar uma cidade inteira e aquecer o mais frio dos corações, sem exageros. Óbvio que ela não sabia da minha existência, e soube da pior maneira, mas tentei puxar algum assunto:

- E aí, Jessica, vai à festa do Ricardo?
- Não sei, tenho que ver com minhas amigas se elas vão. Como soube da festa?
- Um amigo meu da nossa sala comentou da festa e me chamou para ir.
- Ah, legal...
- Bom, só vim perguntar se ia. A gente se vê lá. Tchau.
- Tá certo, tchau.

Ao sair, ouvi aquelas famosinhas risadinhas de desprezo. Olhei para trás disfarçadamente, e por alguma razão, Jessica não ria. Ficava séria enquanto suas amigas faziam os comentários já esperados. "O que aquele esquisito veio te perguntar?" e coisas do tipo. Mantive-me na minha e continuei meu caminho.

Noite de festa. Pus minha melhor camisa, borrifei um perfume que tinha em cima da cômoda, e fui. Ao chegar lá, Jessica e sua horda de hienas estavam juntas, como de praxe. Cumprimentei quem eu conhecia, lancei um sorriso meio amarelo para ela, sem resposta, peguei um copo de refrigerante, já que eu não bebia na época e me recostei numa parede para "observar o ambiente". Não sei de onde, não sei por que, surgiram garrafas de bebida, e algumas pararam com as amigas da Jessica. Eu não tinha nada a ver com isso, continuei com meu refrigerante, enquanto a festa rolava.

Seguindo a ordem natural das coisas, percebi que Jessica ficara um pouco "alegre" com a situação. Aproveitei a brecha para puxar mais assunto. Qualquer um na minha pele faria o mesmo.

- E aí, Jessica, lembra de mim?
- Hm? Acho que eu me lembro de você, da escola... Qual seu nome mesmo?
- Igor. Sou da sua sala, mas nunca tivemos a oportunidade de conversar direito.
- Claro que não, você é tão esquisito, fechado. Você me dá medo.
- Ah, imagine. Não sou nada assustador, pode acreditar.
- Se você diz...
- Eu falo sério. Se quiser me dar a chance de te convencer, vamos para algum lugar mais reservado.
- tudo bem, acho que não é pecado algum tentar.

Do lado de fora da casa, havia uma garagem. Estava vazia, pois os pais do dono da festa estavam fora, é claro. Cheguei com a Jessica, e começamos a jogar conversa fora. Estava tudo normal, mas eu estava com uma vontade enorme de beijá-la ali, naquele momento. Comecei a me aproximar numa tentativa de fazer o que queria, e não vi nenhuma objeção. Culpa do álcool? Reciprocidade? Não sei, nunca soube. Começamos a nos beijar, mas percebi que ela estava relutante, mas eu não. Longe disso. A cada beijo, a vontade em mim crescia. Prendi as mãos dela contra a parede com uma mão e comecei a tocá-la com a outra. Eu podia ser franzino, mas eu era mais forte que ela. Ela tentava se soltar, mas eu não estaria mentindo se eu dissesse que ela estava gostando. Com a mão livre, desabotoei a minha calça e a dela, quando ela começou a ficar mais agitada, e eu não estava gostando daquilo.

- Por favor, Igor, pare, isso não está legal.
- Jessica, fica calma, está tudo bem.
- Não, não está. Pára, por favor, está doendo.
- Jessica, meu amor, já disse para se acalmar. Aproveite.
- Aproveitar o que, Igor, isso é horrível. Eu já disse, pare senão eu grito.
- Você não teria coragem, Jessica.
- Eu disse pra você parar!
- Cala a boca!

Por instinto ou por burrice, bati nela. Duas vezes. Ela pareceu entender o recado e "se acalmou". Olhei para a janela, preocupado que alguém estivesse nos vendo, mas estava tudo aparentemente calmo. Enquanto eu penetrava, cujo ato fazia eu me sentir muito bem, senti algo molhado. Viscoso, eu diria. Olhei para baixo e vi um líquido vermelho escorrendo pela virilha dela e me sujando. Ela era virgem, e eu nem imaginava.

Depois de alguns minutos de gemidos e gritos suprimidos, e algumas lágrimas, tínhamos acabado. Abotoei minha calça e a dela, dei meia-volta e fui embora. Por que eu ficaria ali? A vantagem de ser desconhecido é que você pode fazer o que quiser e ninguém vai pensar que foi você. Saí da casa sem falar e nem ser visto por ninguém e fui para a minha. Morbidamente feliz.

Diz o ditado que o diabo mora nos detalhes. Após ficar 3 dias sem ir à escola, enganando minha mãe, eis que ela chega com uma notícia que mudaria tudo: Estávamos mudando de casa. Minha mãe trabalhava numa dessas empresas transnacionais, onde os cargos de importância migram de uma cidade para a outra com frequência. Eu estaria a quilômetros e quilômetros daquela escola, e daquela garota, não voltaria nunca para lá, e ninguém nunca saberia da história. Ainda bem.



~59ª edição conto/história - Bloínquês

3.18.2011

Músicas da semana, vol. 1

O certo era eu começar esse post no domingo, mas não quero.

Então, galera, decidi fazer esse post semanal para mostrar quais foram as músicas que eu mais gostei na semana. Toda sexta, irei postar 3 músicas que me impactaram de alguma forma ou que fazem parte de um tema (gênero), uma breve introdução ao gênero e ao artista, caso estes sejam desconhecidos e, claro, o motivo deles estarem aqui.
Portanto, vamos lá:







Bom, essas são as músicas desse post. Por quê? Cada uma delas me relaxaram de uma forma incrível. A Beauty não poderia ter recebido nome melhor; A do Eskmo é bem lenta, perfeita para fumar um cigarro por exemplo; a do FLYamSAM, que é a junção de dois projetos de hip-hop, o ótimo Flying Lotus com o Samiyam, é boa para andar. Sim, andar, ir para o trabalho, andar de ônibus, enfim...

É isso. Esse post também é mais para dividir meu estranho gosto musical com quem lê o blog. Espero que gostem e até a próxima semana.

3.15.2011

Memórias do abismo, parte II: Senhor Terrence

Agora, falemos sobre meu pai. Terrence Walker foi um veterano da Segunda Guerra Mundial. Assim como todo veterano que volta mudado da guerra, ainda mais uma guerra como aquela, ele tinha problemas. Muitos problemas.

Comecemos pelo álcool: Nós morávamos em um apartamento vagabundo pois metade do salário dele, que já era curto, era gasto com bebida. Ele devia tanto pro bar que ele frequentava que, se o dono fosse cobrar tudo, meu pai teria que se prostituir só pra pagar 1% do que ele devia. Quem sofria mais com isso? Esse que vos fala. Meu pai achava que eu era a causa dos problemas dele: A mulher dele enlouqueceu, o dinheiro dele era pouco, ele não podiatransar em casa pois, segundo a mente doentia dele, ele me respeitava, então o que lhe resta a fazer comigo? Bater, para descontar a raiva do mundo. Bater, bater, bater, bater. Aos 4 anos, eu já sabia o que era gesso. Não, não foi ele quem me levou ao hospital, foi a irmã de minha mãe, mas falarei dela mais pra frente. Aliás, sem querer adiantar grande parte da história, acho que ela foi a única coisa boa a acontecer comigo durante minha vida inteira.

O segundo problema era sexo. Convenhamos, gente, sexo faz falta pra quem convivia dia e noite com isso. Era minha mãe, antes de ela ir para o hospício. Depois dela, a vizinha, a filha da vizinha, a mãe da vizinha, a nossa cachorra, a cachorra da vizinha. Por várias vezes, eu o vi nos maiores amassos com a tal vizinha do apartamento ao lado, a dona Victoria. Certa vez...

T: - E então, gostosa, vamos para dentro?
V: - Não, meu marido está pra chegar.
T: - E isso faz alguma diferen... Ei, moleque, pára de me espionar e volta pra dentro!

Um tapa a mais, um dente a menos. Depois disso, eles entraram no apartamento dela. Já sabem pra quê.

As paredes do nosso apartamento deviam ser muito finas, pois eu ouvia cada gemido, cada grito, cada choque da cama contra a parede. Todos os dias. Até que o marido dela pegou os dois certo dia, arranjou briga com meu pai e ela, obviamente, e o casal Collins se mudou do apartamento ao lado. Nunca mais ouvi falar na dona Victoria, espero que ela ainda esteja viva...

E assim foi a vida com meu pai. Se é que posso chamá-lo de pai. Apanhar todos os dias, sofrer humilhações de diversas formas, ter que ser praticamente uma maldita dona-de-casa, entre outras coisas. E assim foi por 9 anos. A mesma rotina, dia após dia. Não sei como sobrevivi, mas eu sobrevivi. Antes eu tivesse morrido, eu teria me livrado de tanta dor...

Enfim, próximo tópico: Meu tio.

Memórias do abismo, parte I: Prazer, meu nome é Desmond

Saudações. Você não me conhece, eu não te conheço, mas as melhores histórias são aquelas que nos são contadas quando menos esperamos. Ah, me desculpe, eu não me apresentei: Meu nome é Desmond Walker, e estou escrevendo da prisão. Bom, não sou eu especificamente que está escrevendo, mas isso não importa. Amanhã será meu último dia de vida, pois fui condenado à morte e, como último desejo, pedi para que escrevessem a história da minha vida num livro. Portanto, eu terei dois dias para resumir 56 anos do mais puro e legítimo sofrimento em algumas páginas. Por que eu estou fazendo isso? Para mostrar a vocês que seus problemas não são nada. Vou usar a minha dor pra fazer a sua parecer uma brincadeira de criança, assim você pode até começar a dar mais valor à sua vida e parar de se preocupar com problemas pequenos. Podemos começar? Darei início pela parte mais óbvia:

Nasci no dia 17 de abril de 1955, um domingo, às 14:33. Nascido num hospital? Não, nascido num hospício. Minha mãe foi internada, por tempo indefinido, pelo meu tio, sob o pretexto de que "ela não tinha condições de criar um filho, nem de reger uma família". Bastardo filho da puta, por mais clichê que possa soar, ele queria o dinheiro do qual minha mãe estava recebendo de herança, da vadia da mãe deles. Não se preocupem ainda, a briga com minha avó é para uma outra hora. Ele tinha razão sobre a minha mãe, mas ela era minha mãe, ela tinha tratamento, por mais difícil que fosse, ele não tinha o direito de fazer aquilo.

A essa altura, você deve estar se perguntando em quais condições minha mãe estava, correto? Pelo que eu lembro de ter ouvido do meu pai, com quem passei boa parte da minha "querida" infância, ela tinha usado tantas drogas na vida que ela não conseguiu uma overdose, ela conseguiu, sabe-se lá como, um transtorno dissociativo de identidade (a famosa síndrome das múltiplas personalidades), depressão, tendências suicidas e esquizofrenia. Colocando em termos diretos, ela poderia ir de uma personalidade autodestrutiva para uma alucinada ou uma extremamente mórbida e "obscura" conforme a vontade da mente dela. Essa era minha querida mãe.

Com vossa licença, vou tomar um café. Assim que eu terminá-lo, conto como foi viver com meu pai.

Memórias do abismo: Introdução

Bom, gente, há muito tempo eu ando com essa idéia na cabeça, a idéia de escrever um conto, uma história para explorar o quão fundo pode ser o poço de uma pessoa, quanto sofrimento ela consegue aguentar antes de explodir. Explorar todas as formas de dor: a dor física, a emocional, a psicológica etc. Sim, eu tenho esse lado sádico, assim como qualquer pessoa normal, mas, se você não gosta de histórias do tipo, por favor, não leia. Eu prefiro que você não leia do que você ler e comentar com base no que você não gosta, não do que a história realmente é.

Sobre a estrutura da história, contarei-a em primeira pessoa, pois é meu tipo favorito de narrativa, como se meu personagem estivesse contando a história para você, ao vivo.

Conforme eu for escrevendo algumas coisas, soltarei aqui, certo? Se preparem, eu quero fazer meu personagem sofrer de diversas formas.

3.12.2011

Palavras póstumas de um Zé-ninguém

Caro estranho,

Não sei de onde tirei a idéia de escrever um bilhete agora, mas se estiver lendo isso, continue lendo até o final, um finado agradece. Eu falo desse jeito pois não há como sair daqui vivo, não desse lugar, não dessa situação. Se estiver com dúvidas de como toda essa cidade veio abaixo, espero que essas palavras ajudem a esclarecer o que houve.

Se eu bem me lembro, deviam ser 15 horas quando tudo começou a tremer. Foi um terremoto fortíssimo, eu nunca tinha visto nem presenciado nada como aquilo, era apavorante. As estantes começaram a cair, as paredes começaram a rachar, todos começaram a gritar, e eu fiquei sem reação. Não sabia o que fazer, não sabia se eu corria, gritava, chorava, ajudava as pessoas, eu apenas travei. Pode parecer covardia, mas eu simplesmente não tive reação. O caos acontecia ao meu redor até que uma das paredes da sala em que eu estava caiu em cima de mim, me deixando nesse espaço sem luz de 1 metro cúbico, eu presumo. Eu mal fico sentado aqui, não sei nem como estou conseguindo escrever. O irônico disso tudo é que eu sofro de claustrofobia, então você deve imaginar meu estado nos primeiros 20 minutos. Depois que a parede caiu, eu não soube de mais nada "lá fora". Me pergunto se meus colegas de trabalho conseguiram se salvar.

Agora estou aqui, com meu isqueiro aceso para iluminar esse espacinho, tentando controlar meus tremores e meu medo, escrevendo esse bilhete e fumando meu último cigarro, o que é bem imbecil da minha parte, já que, a cada tragada, eu fico com menos ar. E minha mãe sempre dizia que o cigarro me mataria um dia, mal sabia ela que tinha razão. Falando nela, eu peço encarecidamente que você, caro desconhecido, diga a ela que eu peço perdão por ter sido um péssimo filho na adolescência. Perdão pela teimosia, rebeldia, e todas as brigas que tivemos. Diga à minha mulher e filho, e à minha mãe, que os amo mais que minha própria vida, e que eu peço desculpas por não poder fazer mais nada por eles. Diga à Rebeca, minha mulher, que ela foi, de longe, o melhor presente que já me foi dado. A gente não escolhe o dia em que vai morrer, por isso queria deixar esses sentimentos bem claros. O endereço das duas serão escritos na parte de trás do papel, assim você pode encontrá-las mais facilmente.

Agora, se você estiver perguntando a si mesmo se estou com medo de morrer, saiba que nem eu sei a resposta. Nunca tive medo da morte durante minha vida, mas quando você se depara com ela, a história é outra. É uma curiosidade mórbida saber o que vai acontecer quando meu coração parar de bater, se eu vou ver alguma luz, se eu vou continuar no escuro. Infelizmente, você também vai ficar sem saber se há vida após a morte,  pois não dá pra escrever depois de morto. E se desse, acho que Chico Xavier não daria tão certo, já que nenhum espírito precisaria dele para psicografar nada. Estranho eu achar lugar para uma piadinha no meio dessa situação toda...

O papel que eu achei já está acabando, meu isqueiro está ficando sem gás, e meu cigarro já acabou. Vou aproveitar meus últimos segundos de oxigênio fazendo o que eu fiz a vida inteira: Nada. Me arrependo de ter sido relapso em alguns momentos da minha vida, e só depois de adulto correr atrás das coisas, como família, filhos, emprego... Eu sei que você não é um padre para eu estar me confessando, mas saiba que eu não fui uma boa pessoa, e é até bom eu ficar por aqui. Exagero? Não, realismo. Minha família irá sentir minha falta, com certeza, mas só eles. Portanto, você que está lendo isso, deixe-me fazer ao menos uma boa ação para um desconhecido na vida e te aconselhar a não desperdiçar sua vida. Se tem uma família, volte para casa hoje e abrace-os, como se fosse perdê-los amanhã. Faça isso todos os dias. Diga à sua mulher que a ama. Dê bom dia aos seus vizinhos, afinal gentileza gera gentileza, lembre-se disso.

Últimas linhas. Adeus, estranho. Nunca nos vimos e, com certeza, nunca nos veremos. Porém, quero que saiba que foi um prazer te conhecer. Agora volte ao seu trabalho e procure por sobreviventes. Eles precisam de você mais do que eu.


~34º Edição Cartas - Bloínquês

3.11.2011

Diversificando a mente

O título pode dar muitas idéias para essa sua cabecinha, mas eu vou falar de música. Disparado, meu assunto favorito. Eu poderia passar horas discutindo gêneros atrás de gêneros, sem nem perder o fôlego. Claro que não vou fazer isso agora, pois não quero te cansar, mas... Falemos de música e preconceitos.



Nos últimos, sei lá, dois meses, comecei a me interessar por um gênero que, com certeza, muita gente repudia sem nem tentar ouvir um pouco: Hip-hop. Artistas como o falante e visionário Busdriver, o filosófico k-the-i???, o abstrato Prefuse 73, o sentimental e depressivo Sadistik, os barulhentos (e os meus preferidos) Food For Animals e o old-school Del Tha Funkee Homosapien me fizeram ver (e tomara que façam você também) que o Hip-hop não é só "vou furar sua cara na bala", 'vou comer aquela vadia" ou "minha gangue vai foder com a sua". Não. Inúmeros artistas levam o Hip-hop, a música a outros patamares. Patamares que podem abrir a mente de muito conservador por aí.

O que acontece na música, hoje em dia, é que talento não tem nada a ver com popularide. Aposto que, com essa frase, você lembrou de gente como Restart, 50 Cent, ou aqueles caras que acabaram de comprar seu primeiro par de CDJs e seu mixer e se auto-intitulam DJs. É, exatamente deles que eu falo. Eles podem fazer sucesso, podem ganhar dinheiro, mas a música não é só isso. Música não foi feita para enriquecer, muito menos é sinal de boa vida, ela foi feita para entreter. Paganini era famoso, mas morreu tocando seu violino. Beethoven era famoso, mas morreu (e fez música) surdo. João Carlos Martins, aquele maestro homenageado pela Vai-Vai no carnaval paulista desse ano, era outrora um grande pianista, tido por muitos como o melhor intérprete de Bach já conhecido, e perdeu o movimento das duas mãos. Todos os citados têm, inegavelmente, um talento quase sobre-humano, mas eu duvido que muitos já tenham ouvido falar deles, o que só prova que, infelizmente, popularidade não é sinônimo de talento.

O meu outro ponto é: Antes de falar mal de alguma coisa, procure correr atrás de informações do que você quer criticar. Você pode terminar ficando constrangido ao criticar, sei lá, música eletrônica por causa das raves, quando você não tem idéia de que o universo da música eletrônica consegue ser tão vasto quanto o universo físico, contando com tantos gêneros e subgêneros que até o mais sábio dos críticos musicais ficaria perdido. E uma coisa boa em buscar essas informações é que você pode acabar mudando de opinião durante o processo, além de adquirir conhecimento pra conversar sobre aquilo com outras pessoas. Música é o vício de muita gente que você conhece, inclusive pode até ser o seu, portanto, abra sua mente. Um pouco de coisa nova não faz mal a ninguém.

3.10.2011

Sobre nós.


Sol e Lua. Fogo e água. Queijo e goiabada. Doce e salgado. Quente e frio. Verão e Inverno. Céu e Inferno. Claro e escuro. Alegre e triste. Música e barulho. Homem e mulher. Confiante e indeciso. Iguais e diferentes. Opostos. Completos.

Me responde.

Você diz pra mim que eu sei falar bem, que sei usar as palavras, mas eu quero que você explique: Por que eu não consigo explicar o que eu sinto por você? Por que eu não consigo colocar em números, dados o tamanho desse amor que me invadiu, me mantém vivo? Por que eu me desespero toda vez que passa pela minha cabeça a idéia, a imagem de acordar, de ter de viver sem você? Por que eu fico tão feliz quando ouço sua voz, mesmo depois de ter tido um dia incrivelmente ruim? Por que eu me imagino daqui a sabe-se lá quantos anos ao seu lado? Apenas ao seu lado? Por que eu fico me perguntando, me martirizando por não ter te procurado, te encontrado antes? Por que é só com você que eu me vejo casado, tendo filhos, e não com ninguém mais? Por que, mesmo durante tantas brigas, eu sempre abaixo minha cabeça? Por que você é tão perfeita e eu sou tão... pequeno?



Por quê?
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